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Este livro foi concebido no âmbito do projeto SciArt, uma iniciativa que se destaca pela sua abordagem inovadora ao estudo do património cultural. Ao colocar no centro da aprendizagem a análise de artefactos provenientes de diferentes culturas, o projeto promoveu uma integração harmoniosa entre educação formal e não formal, adotando uma perspetiva verdadeiramente transdisciplinar STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
A turma do 8.ºA da Escola Básica Eugénio de Andrade, localizada na cidade do Porto, Portugal, protagonizou um projeto educativo de grande relevância ao elaborar este livro, fruto de um trabalho colaborativo e multidisciplinar. Sob a orientação atenta dos professores, os alunos tiveram a oportunidade de desenvolver aprendizagens em várias áreas disciplinares: Ciências Naturais, Educação Tecnológica, Educação Visual, Físico-Química, História, Inglês, Matemática e Português.



Na disciplina de Educação Tecnológica foi dinamizada a exploração das ferramentas digitais StoryJumper e o ARTutor utilizadas na construção deste livro.
Esta abordagem integradora, baseada no currículo de cada disciplina, promoveu não só a aquisição de aprendizagens específicas, mas também o desenvolvimento de competências transversais, como o trabalho em equipa, a autonomia, a criatividade, a resolução de problemas, o pensamento crítico e a capacidade de comunicação. O resultado final é uma obra que reflete o empenho, a dedicação e o espírito de colaboração de todos os envolvidos, constituindo um testemunho valioso do potencial educativo da articulação entre diferentes áreas do saber, na exploração do património cultural.
Foram elaboradas versões deste e-book em Inglês e em Língua Gestual Portuguesa.


À DESCOBERTA DE NÓS ATRAVÉS DA CIÊNCIA E DA ARTE
No dia 6 de dezembro de 2025 iniciamos a nossa jornada de estudos. Este dia foi destinado à diferença: a aprendizagem far-se-ia a algumas dezenas de quilómetros para Norte, em busca de vestígios do passado, em busca de nós - de quem fomos, de quem somos, sentados nos ombros de sucessivas gerações de homens e mulheres que nos precederam.
Deslocamo-nos ao Centro Interpretativo de S. Lourenço, em Esposende, e realizamos atividades orientadas por uma arqueóloga e uma técnica de conservação e restauro que nos ajudaram muito na nossa descoberta.



Depressa nos afastámos do bulício da cidade para nos encontrarmos no meio de nenhures. Neste espaço exterior do Centro Arqueológico entramos em diálogo com a natureza, onde o silêncio se escuta e tudo nos transporta para outro tempo.


No interior do museu, os protagonistas são os objetos de outrora, que brilham sobre o fundo negro e que nos captam a atenção e a curiosidade, conduzindo-nos à descoberta. As perguntas acontecem em catadupa: "O que está a ver? O que é este objeto? E aquele? De onde viria? Como chegou até aqui? Quantos anos terá? Será antigo ou contemporâneo? Terá vindo de um lugar próximo ou de um lugar distante? Qual seria a sua função?
As atividades que iríamos realizar incidiram sobre três objetos que ali se encontram: um denário romano, um prato de oferendas de S. Cristóvão e um cadaste encontrado próximo dali, em Belinho, Esposende.




AS NOSSAS DESCOBERTAS SOBRE OS ARTEFACTOS
Após os ensinamentos, as atividades realizadas no museu e as pesquisas que realizamos, obtivemos respostas e tiramos algumas conclusões.
Sobre o Cadaste concluímos que faz parte da estrutura de um navio do século XVI/XVII, que viajava do norte da Europa para a Península Ibérica e que naufragou. Os destroços foram levados à praia do Belinho, em Esposende, durante a tempestade excecionalmente forte (chamada “Hércules”), no inverno de 2014. O Prato de Oferendas foi encontrado no mesmo local e faz parte da carga deste navio.


O denário de Júlio César é uma moeda que integra um tesouro monetário de 19 denários republicanos descobertos durante as escavações arqueológicas do Castro de S. Lourenço, em 1988, também na cidade de Esposende. Existe a possibilidade de que, tal como o Prato de Oferendas, estas moedas façam parte da carga do navio naufragado.


ARTEFACTO 1
PRATO DE OFERENDAS DE S. CRISTOVÃO
Origem: Sítio arqueológico do naufrágio de Belinho, Esposende (Portugal)
Data: Século XVI/XVII


ARTEFACTO 2
DENÁRIO DE JULIUS CAESAR
Origem: Sítio arqueológico Castro de S. Lourenço, Esposende (Portugal)
Data: 46-45 a.C.


ARTEFACTO 3
CADASTE OU JOELHO DE POPA
Origem: Sítio arqueológico do naufrágio de Belinho, Esposende (Portugal)
Data: Século XVI/XVII



QUE MAIS NOS PODEM CONTAR OS ARTEFACTOS?
Procuramos mais informações sobre os objetos. Queríamos saber, com precisão, de que materiais eram realmente feitos. Para isso utilizamos cinco métodos arqueométricos nas aulas de Ciências Naturais (microscópio ótico e microscópio eletrónico (MEV)) e de Físico-Química (espectroscopia de raio X por energia dispersiva (EDS); espectroscopia de infravermelhos (FTIR) e análise de difração de raio X (XRD)).
Esta experiência inovadora e interdisciplinar, unindo ciência e a arte no estudo dos artefactos, foi muito enriquecedora e útil nas respostas que procurávamos.


MICROSCÓPIO ÓTICO
Prato de Oferendas


Através das imagens no microscópio ótico, pudemos analisar superfícies e detalhes dos artefatos, identificando padrões e texturas dos materiais, revelando detalhes não visíveis a olho nu.



Para melhor entendermos o funcionamento deste aparelho, utilizamos os microscópios óticos disponíveis na nossa escola e conseguimos observar com detalhe a estrutura celular da cebola e identificar microrganismos presentes na água de um charco.




Estrutura celular da cebola
Microrganismos da água de um charco
A análise do Prato de Oferendas foi feita considerando dois pontos de interesse: o primeiro retirado da borda do prato e o segundo retirado de traços dourados observados na decoração em relevo.
Ao observarmos as imagens de microscopia ótica dos dois pontos de interesse, percebemos que obtemos três imagens distintas para cada um deles. Isso ocorre porque cada imagem é capturada com um nível diferente de ampliação. Podemos classificá-las da menor para a maior ampliação. A primeira dá-nos uma visão geral do objeto, a segunda revela mais detalhes estruturais e a terceira permite observar elementos microscópicos que seriam impercetíveis a olho nu.


Observação da borda
Ao ampliar a área no canto inferior direito do prato avistam-se algumas formações, que parecem pequenos buracos (figura 3). Estão todas agrupadas e todas têm a mesma direção. Isto informa-nos que o prato metálico foi prensado e golpeado para a sua configuração final.



Observação dos traços dourados
Ao ampliar a área com a decoração em relevo do prato podemos observar evidências de desgaste e coletar uma amostra (figura 2). Na figura 3 podemos observar vestígios de cor dourada.



O MICROSCÓPIO ELETRÓNICO (MEV)
O Prato de Oferendas


O microscópio eletrónico fornece maior detalhe, mas os materiais não podem ser identificados.
As ampliações dos dois pontos de interesse do objeto revelam variações nas imagens.
Isso pode indicar diferenças na composição dos materiais ou na estrutura superficial das áreas analisadas. Essas diferenças são fundamentais para compreender melhor a natureza do objeto estudado.




Quando utilizamos a microscopia eletrónica, um dos pontos de interesse apresenta maior ampliação que o outro. Obtemos imagens a preto e branco porque não utiliza luz natural, mas sim eletrões.
Observação da borda
Observação dos traços dourados
Ponto de interesse retirado da borda do prato.


Ponto de interesse retirado de traços dourados observados na decoração em relevo.


O MICROSCÓPIO ÓTICO
Denário de Júlio César

Na análise do Denário de Júlio Cesar, os pontos de interesse observados ao microscópio ótico incluem um dos lados da moeda (anverso) com o objetivo de estudar o aspeto do material e a presença de traços de cor observados no outro lado da mesma (reverso).
Obtivemos três imagens distintas para cada um deles. Isso ocorre porque cada imagem é obtida com uma ampliação diferente.


Observação do anverso
Ao ampliar o ponto de interesse indicado na figura 1, observamos que ela não é lisa (figura 2).
Na figura 3 observamos que a superfície do metal é áspera e desgastada.



Observação do reverso
Ao ampliar o ponto de interesse indicado na figura 1 (reverso da moeda), confirmamos a existência de traços de cor.
Na figura 3 podemos observar esses traços de cor.



O MICROSCÓPIO ELETRÓNICO (MEV)
Denário de Júlio César

As imagens obtidas no microscópio eletrónico relativas aos pontos de interesse do Denário, fornecem informações semelhantes às que foram obtidas para o Prato de oferendas.
Deste modo, apenas podemos concluir que o Denário apresenta diferentes materiais na sua composição.


Após a utilização do microscópio ótico e do microscópio eletrónico concluímos que através destes métodos, abordados nas aulas de Ciências Naturais, não foi possível identificar os componentes presentes nas duas áreas de interesse selecionadas para cada um dos artefactos. O MEV não forneceu informações diretas sobre a composição química, apenas foi possível identificar a presença de materiais distintos com base nas diferenças de contraste e de textura. Para uma análise mais detalhada em termos da identificação dos materiais que compõem os artefactos, foi necessário recorrer a técnicas complementares de análise.



Que métodos analíticos poderemos utilizar para identificar os elementos químicos presentes numa amostra?
Identificamos 3 métodos como métodos analíticos eficazes para a identificação de elementos químicos e das suas quantidades numa amostra. Visualizamos os vídeos explicativos para compreendermos os princípios fundamentais de funcionamento de cada um dos métodos.





Espectroscopia de Raio X por Energia Dispersiva (EDS)
Espectroscopia de Infravermelhos (FTIR)
Análise de Difração de Raio X (XRD)



A ESPECTROSCOPIA DE RAIO X POR ENERGIA DISPERSIVA (EDS)
Prato de Oferendas


No primeiro ponto de interesse, a partir da amostra retirada da borda do prato, o que se observa no espectro EDS? Quais os elementos químicos encontrados?



Resposta: Da análise do espectro obtido, concluímos que o material é, na sua maioria, constituído pelo metal cobre (Cu) e por uma pequena quantidade de Zinco (Zn). Esta constituição corresponde à liga metálica conhecida como Latão.

ponto de interesse 1



No segundo ponto de interesse, da amostra retirada da camada de ouro do relevo do prato, o que se observa no espectro EDS? Quais os elementos químicos encontrados?



Resposta: Identificamos os seguintes elementos e quantidades: Ouro (Au) 98%; Prata (Ag) 1% e Cobre (Cu) 1%. Esta composição específica indica uma liga de ouro. Pode significar que a liga de ouro utilizada tenha sido proveniente do reaproveitamento da fusão de joias.


ponto de interesse 2


Procuramos obter outras informações com este método analítico, para os dois pontos de interesse do parto de esmolas.
A ESPECTROSCOPIA DE INFRAVERMELHOS (FTIR)
Prato de Oferendas




Nos dois pontos de interesse (borda de prato e relevo - traços dourados) o que se observa nos espetros FTIR? Dão resultados?
Resposta: O método FTIR não forneceu quaisquer resultados para as duas amostras.




Conclusão: Pelo vídeo explicativo do método (a que inicialmente assistimos), sabemos que este método não permite identificar metais, por isso, os elementos anteriormente identificados não aparecem nestes resultados. Verificamos que é importante utilizar mais do que um método de análise elementar para conseguirmos obter informação mais precisa sobre a composição dos materiais que compõem amostras em análise. Faz todo o sentido utilizarmos ainda mais uma técnica, o método XRD


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